Se você mora em áreas de encosta ou tem vizinhos que moram em regiões de risco, já deve ter ouvido falar de deslizamentos. Em Porto Alegre, chuvas intensas e solo instável tornam esse perigo real, principalmente nos bairros da zona norte e nas áreas próximas ao Guaíba. Mas não precisa ficar no medo: com algumas ações simples você pode reduzir o risco e saber exatamente quais são seus direitos caso algo aconteça.
O clima de Rio Grande do Sul traz fortes pancadas de chuva no verão. Quando o solo já está saturado, ele perde aderência e a terra escorrega ladeira abaixo. Em Porto Alegre, a combinação de morros antigos, construções sem estudo de solo e falta de drenagem adequada são os principais vilões. Além disso, o desmatamento de áreas verdes deixa menos raízes para segurar a terra, aumentando a vulnerabilidade.
Primeiro passo: verifique se sua casa está em zona de risco. A prefeitura disponibiliza um mapa interativo que mostra áreas vulneráveis a deslizamentos. Se o seu endereço aparecer, converse com um engenheiro civil ou um arquiteto que faça análise de estabilidade. Pequenas medidas já ajudam: limpar calhas, garantir que a água da chuva tenha caminho livre para escoar e evitar acumular entulho nas encostas.
Segundo, mantenha a vegetação. Plantar árvores e arbustos com raízes profundas funciona como âncora natural. Se você tem um quintal, priorize espécies nativas que crescem bem no solo da região. Caso precise remover algum vegetal, faça a reposição imediatamente.
Terceiro, esteja atento aos alertas do INMET e da Defesa Civil. Quando houver alerta amarelo ou vermelho para chuvas intensas, reduza atividades ao ar livre e mantenha um kit de emergência (lanterna, água, primeiros socorros). Essas precauções simples podem salvar vidas.
Em caso de deslizamento, a primeira prioridade é a segurança das pessoas. Se você estiver em casa, saia imediatamente, levando documentos importantes e o kit de emergência. Não tente voltar até que as autoridades deem o sinal verde.
Depois, registre tudo: fotos dos danos, relatos de testemunhas e contatos de vizinhos. Essa documentação será essencial na hora de acionar a seguradora ou buscar reparação judicial. No Brasil, a Lei nº 13.425/2017 estabelece que o poder público tem obrigação de prevenir deslizamentos e de reparar danos quando falha na prevenção.
Se o seu imóvel foi atingido, procure a Delegacia de Polícia ou a Ouvidoria da Defesa Civil para fazer um Boletim de Ocorrência. Em seguida, procure um advogado especializado em direito administrativo ou ambiental. Ele pode orientar sobre como entrar com ação contra o município ou contra construtoras que não seguiram normas técnicas.
Quem sofre perdas por deslizamento tem direito a indenização por danos materiais e morais. A jurisprudência tem reconhecido que, se a falta de drenagem ou o mau planejamento urbano contribuíram para o desastre, o ente público pode ser responsabilizado. Além disso, programas de auxílio emergencial do governo estadual podem liberar recursos para reparos emergenciais.
Para solicitar esses benefícios, reúna a documentação do imóvel, comprovantes de residência, laudos técnicos e o Boletim de Ocorrência. Um advogado pode redigir a petição e acompanhar o processo, aumentando as chances de receber a compensação correta.
Lembre‑se: a prevenção começa com informação e atitude. Consulte o mapa de risco, mantenha a área ao redor da sua casa limpa e vegetada, e fique de olho nos alertas meteorológicos. Se tudo acontecer, ter documentos organizados e apoio jurídico rápido faz toda a diferença.
Portanto, não deixe o medo paralisar. Use essas dicas, compartilhe com vizinhos e contribua para uma Porto Alegre mais segura contra deslizamentos.
Aproximadamente 23 estados do Brasil, incluindo o Distrito Federal, enfrentam fortes tempestades nesta sexta-feira, 31 de janeiro de 2025. Com o Inmet emitindo alertas significativos, especialmente para RJ, SP e MG, é esperado grande perigo devido à precipitação acumulada superior a 100 mm por dia, elevando o risco de enchentes, transbordamento de rios e deslizamentos de terra.